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Vamos falar sobre a famosa “Birra”?

 

 

Desde 2016 falo sobre esse tema através do instagram (@psicologiadainfancia), hoje nós vamos falar sobre a famosa “Birra” ou “Terrible Two” a partir de um resumão de parte do que já foi dito.

Começo esse texto com um convite: Vamos olhar de forma empática para essa fase?

A criança encontra-se aos 2 anos em transição, onde deixa de ser um bebezinho e ganha independência física para correr, pular, explorar.

Pensando em seu desenvolvimento emocional sabemos que a criança ainda não consegue lidar com certos sentimentos, que para ela são extremamente intensos!

A birra significa um alarme no cérebro da criança que causa um comportamento explosivo. O cérebro da criança encontra-se em desenvolvimento, por não estar pronto pode entrar em “curto-circuito”. O cérebro da criança pequena, até por volta de cinco anos, não possui desenvolvimento suficiente para compreender a relação entre seus atos e as consequências. Durante esse período a criança não demonstra controle emocional, não para “provocar e afrontar os pais com ataques de birra”, mas sim por não possuir amadurecimento neurológico suficiente para se comportar de forma equilibrada, por isso em alguns momentos ela entra em crise (crise = birra).

Durante o momento da “birra” o cérebro encontra-se em desequilíbrio, a criança vivencia um sentimento desagradável e um enorme mal-estar. Imagina o que acontece quando ela é ignorada ou punida por isso?
O desenvolvimento da criança não será facilitado e seu sofrimento será ainda mais elevado.

Explosões de emoções aos 2 anos são esperadas, algumas crianças apresentam mais, outras menos. Isso não quer dizer que a criança é “mal educada” ou “birrenta”.

Os principais fatores que desencadeiam o momento da birra, são: Fome, sono, cansaço, fortes emoções, excesso de estímulos, imaturidade cerebral.
Que tal pensar no que aconteceu antes dessa “birra”? O processo que deixa a criança nesse nível de gritar ou se jogar ao chão precisa ser percebido para que nas próximas vezes os pais consigam intervir antes do “disparo do gatilho”.

Aos 2 anos (em média) a criança começa a aprender a lidar com as emoções, a maneira que os pais vão conduzir esse processo faz toda diferença para as fases futuras. Não esqueça que os adultos são sempre o exemplo, perceba como você lida com as suas frustrações: Como você lida quando um trabalho foi atrasado? Como lida quando o companheiro (a) faz algo que não te agrada? E quando o trânsito fica um caos?

De fato as crianças por volta dos 2 anos podem apresentar alguns comportamentos como se jogar no chão, chorar de forma escandalosa, então vem a pergunta: O que fazer durante a birra? Minha resposta é: Não há uma fórmula mágica, mas há opções que podem ser utilizadas nesse momento. Dentre essas opções, aqui vai uma: Acalmar, acolher e conversar (AAC).

Como acalmar? Abraçando, beijando, olhando no olho da criança. São atitudes simples e eficazes. Pode ser que no começo a criança pareça não querer esse acolhimento, mas logo também irá perceber a melhora. O afeto no momento da birra tem o poder de liberar ocitocina (o conhecido hormônio do amor), baixando assim os níveis de cortisol (hormônio do estresse que é liberado no momento de tensão).

Como acolher e conversar? Auxilie a criança a descobrir o que ela sente, busque compreender os sentimentos envolvidos no momento da birra ou crise.

Crie uma oportunidade para desenvolver as conexões cerebrais da criança que serão essenciais para que ele possa lidar com futuros estresses. Valide a emoção da criança, sem menosprezar o que ela sente naquele momento.

Importante: Busque ter autocontrole e muita paciência, lembre-se que você é adulto e que as crianças aprendem por meio do exemplo.

A fase dos 2 anos ganhou o nome de terrível através do “terrible two”, eu particularmente não gosto de chamá-la assim. Aos 2 a criança apresenta uma série de descobertas, novas brincadeirinhas, gracinhas… Já olharam por esse ângulo?

Psicóloga Tamara Maia – CRP: 11/09971.

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